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Sororidade.

Sororidade. Soa mal aos ouvidos, não é uma palavra sonora, mas carrega um significado lindo, forte e muito necessário.
Eis que eu me atrevi a tentar escrever sobre o tema. Sinto que me falta muita bagagem pra isso, mas tenho uma urgência que me perturba. Então, cá estou eu, de saliente que eu sou!
Li num texto, acho que ontem, sobre o feminismo, que toda mulher, em alguma medida, é feminista. É feminista porque o feminismo é pra todas, independente do que a mulher faz. Porque o feminismo é pra dona de casa, pra empresária, pra mãe full time, pra mãe que trabalha 8 horas fora de casa, pra mulher solteira, pra lésbica, pra casada. E, de fato, se hoje temos alguns direitos, sim, devemos isso ao feminismo.
O machismo tá enraizado na nossa sociedade, e, quer você diga que concorda ou não com o feminismo, isso te faz mal. Tem diversos males que advém daí, e a gente só precisa refletir um pouco e se informar, ter a cabeça um pouquinho aberta, pra poder entender e enxergar. Não é difícil.
Sororidade é esse espírito de irmandade, de amor entre as mulheres, simplesmente por sermos iguais. De mulher pra mulher. É compaixão, cumplicidade. Vai contra esse espírito de competição que a gente, que é mulher, tá tão acostumada a viver no dia a dia, que é tão cansativo e doentio. Não é legal, e eu tenho certeza que incomoda a maioria. Me incomoda, incomoda as minhas amigas, e várias mulheres que já conheci. Não é à toa que tantas mulheres dizem preferir amigos homens. E isso envolve tanta coisa...
É controlar aquele impulso de chamar a vizinha, que você, por algum motivo qualquer não gosta, de algum termo pejorativo. Isso é fruto da sociedade machista.  Pensem comigo! Os xingamentos têm todos um fundo machista, e isso é doentio, é bizarro, minha gente! Saca só: "corno", "viado", "vagabunda", "piranha", "puta", "vaca", "vadia", etc. Sério. A mulher estacionou mal o carro do lado do seu. Por isso ela é uma vagabunda?! Oi? O cara te trancou na rua. Isso faz dele um corno? Como assim? A mulher dele nem tá lá, e, tipo, desde quando ser corno é uma ofensa?! Nunca entendi isso. E, outra, a vida sexual da mulher deveria parar de fazer parte dos xingamentos, da mesma forma que a vida sexual do homem não faz. Igualdade de gêneros, 2015. Bitch, please! 
Ou, por exemplo. Seu namorado te traiu. Porém, você vai lá e briga com a mulher com quem ele ficou. Ela é a piranha da história, porque deu em cima de um cara que tinha namorada(porque, vamo combinar, o mais comum é pressupor logo que a bonita de corpo que deu em cima dele, e não o filhodaputa que saiu se engraçando pra todo mundo que não tinha um volume a mais entre as pernas). Você e todas as suas amigas vão odiá-la para.todo.o.sempre. Ok, não é legal sair dando em cima de alguém comprometido, independente do gênero (se fosse um cara dando em cima de uma mulher/homem comprometid@ também não ia ser bom), mas, peraí, o sacana foi o namorado. Correto? Ele quem se comprometeu, portanto, ele que deveria ter respeitado o compromisso.
Eu já fui besta assim. Todas podemos deixar de ser. Já fui o tipo que diz "o que? Ser amiga de fulana? Mas ela é ex do meu ex! Que absurdo!" Até que um dia eu me ouvi dizendo isso e vi o quão ridícula eu tava sendo... e percebi o quanto temos em comum - além, claro, de um ex namorado, que hoje nem conta mais, nem pra mim, nem pra ela.
Outro dia vi um video que falava de sororidade. Ele tinha uns 9 minutos, e o tempo todo a mocinha falava do assunto como sendo sobre chamar ou não a atenção de um carinha, e isso me deixou extremamente incomodada, porque, nesses tempos em que lutamos tanto pra deixarmos de ser objetificadas, vai lá a mocinha e fala justamente nesses termos. A gente em torno deles. Só que é foda. Não tem como a gente colocar em outros termos, porque, ao longo do tempo, foi esse o lugar que nós fomos colocadas mesmo. A gente "se deixou"(Será que foi isso mesmo? preciso pensar...) colocar numa posição sempre "em relação" aos homens. Que triste, gente!
Mas é que, ainda assim, me fica um incômodo. É como se fosse além disso. A gente vai além, sabe? É sabermos que, cada uma de nós não está sozinha, porque ninguém melhor do que outra mulher pra entender isso. Porque o feminismo é uma coisa das mulheres, e pras mulheres. É termos a sensibilidade de não apontarmos o dedo uma pra outra, mas de realmente nos apoiarmos, de forma mútua.
Vi um outro vídeo também, que me deu um nó na garganta. Ele falava de relacionamentos abusivos. E é impossível não fazer a conexão com o machismo, por ver o quanto ele contribui pra esse tipo de relacionamento, principalmente em certas culturas que são super favoráveis a ele. E por ter visto de perto exemplos claros disso, porque quando se prega a submissão da mulher ao homem, abre-se margem a tanta coisa... Dói de pensar. Porque, gracinhas, violência psicológica É SIM violência. E nada justifica isso - nem religião, convenções sociais, estabilidade, escambau, caralho a quatro.
Como bem disse Chimamanda Ngozi Adichie: sejamos todos feministas. Não são os tempos. É uma questão de valor, de ser humano, de ser mulher.



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