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Nascer e renascer

Sou dessas que acredita que a vida é feita de fases, momentos, e não necessariamente numa ordem cronológica, porque as pessoas são únicas, e o tempo, apesar de ser o mesmo, é vivido por cada um à sua própria maneira, e da forma que tiver de ser.
Também sou dessas que não acredita no acaso. Acredito no propósito de tudo, seja lá o que isso quer dizer. Gosto de pensar que o fim nunca é o fim de verdade, e que cada virada de ano traz novas oportunidades. Faço lista de metas pro ano seguinte, ainda que provavelmente eu não vá cumprir todas.
Pra maioria das coisas, sou otimista, e tenho um pouco de agonia com gente pessimista, porque, às vezes, acredito nesse lance de energia.
Hoje tava pensando nas dificuldades da vida. O foda disso é que a vida tem lá suas dificuldades "normais", aquelas do dia a dia... tem as dificuldades de determinadas ocasiões, que tendem a ser um pouco mais punk, e tem as dificuldades que as pessoas colocam pra gente, sabe-se lá porquê. Essas últimas, por vezes, me desanimam um tanto. Por outras, me dão um gás. Nem tanto pra provar pra essas pessoas que, apesar delas, dá pra superar as dificuldades, mas por saber que, depois de superar todas as dificuldades, somadas às dificuldades que elas me impuseram, eu vou ter mais respeito por mim mesma. Isso, pra mim, conta muito.
Acho que, quanto mais o tempo passa, mais a gente vê que a vida realmente não é tão fácil assim. E aprender a conviver com isso faz parte do negócio. Posso estar errada, mas uma das coisas que eu acredito que me ajudou muito nesse processo foi eu nunca ter levado jeito pro papel de vítima. Na verdade, eu tenho uma certa dificuldade até com essa história de vitimização, porque acredito que cada um é responsável por si, assim como acredito que eu sou responsável por mim. Claro, as outras pessoas podem tentar dificultar a minha vida ao máximo, mas cabe a mim a decisão do que fazer a respeito disso. E eu procuro decidir por aquilo que vai me ferir menos, por mais egoísta que isso possa parecer. É que chega uma hora que a gente tem que aprender a se preservar, ou a gente passa a vida sendo marionete e se violentando constantemente. E aí não rola, baby. Nisso aí, eu acho que é a única coisa que cabe aquela frasezinha de "tem que se dar o respeito". E eu sou muito fiel - principalmente a mim.
Não quero dizer com isso, jamais, que sou de ferro. Claro que não. Caio como todo mundo, me despedaço, às vezes fico lá, esparramada mesmo. Mas, chega uma hora, que a gente tem que descer do muro. Acredito que todo mundo tem o direito de sofrer. Se tá doendo, chora, ué. Eu choro, choro até não ter mais o que chorar. Já chorei de não conseguir me mexer. Já chorei de noite até amanhecer. Já chorei tanto, mas tanto... e parecia que nunca ia acabar. Mas sempre passa. E aí, a gente tem que ir e enfrentar a vida. E uma coisa que, por mais que possa parecer pouco na hora dar dor, mas que realmente vale a pena pensar é que, quando passar, vai ser tipo uns pontinhos a mais na força, tipo no video game, só que não dá pra dar reset. E no meio do caminho, se a gente permitir, sempre vai aparecer um ou outro, ou outros, novos amigos, que valem muito a pena. E amigos verdadeiros a mais sempre valem a pena, mais do que aqueles que podem partir o nosso coração, por mais que a sua carência diga que não.

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