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Manual de instruções

Acredito muito em manuais de instruções. Acredito que são úteis, proveitosos, de grandíssima ajuda mesmo. Principalmente pra pessoas que não lidam bem com máquinas, de um modo geral, como eu. Televisões, dvds e suas evoluções, máquinas de lavar e afins, etc. Nunca sei bem como funcionam - quanto mais botões, mais confusa fico. Ou, sendo bem sincera, vai ver é só preguiça de aprender mesmo... prefiro que alguém aprenda e me ensine o básico. E gosto que seja uma parada básica mesmo. Nada de muitas complicações, com muitos botões pra apertar e muitas coisas pra selecionar pra trezentas coisas que quiser ligar. Deve ser porque quem sempre ligou essas coisas pra mim foi o meu irmão... e, na verdade, a TV, em si, nunca fiz questão - não me amarro mesmo em nada da TV. Não consigo acompanhar nada dessa coisa de televisão, e nem me interesso em tentar, desde os tempos de cavaleiros do zodíaco. (Mentira, ainda assisti o cravo e a rosa)
Mas até que, se precisar, consigo procurar uma ou outra informação num manual se ele tiver na mão. Numa gaveta específica, muito bem sinalizada pra mim. Tem que colocar a bobina na máquina de costura - dã! - beleza, lá vou eu no manual. Encher a bobina - ahã, manual. Limpar o recipiente da airfryer - manual, voilá! Certo...
Agora, vamos combinar? Manual de instruções foram feitos pra machines. Máquinas tem peças, elas são feitas em linhas de produção, e tem todo um funcionamento bem programado, que várias pessoas - que estudaram aquilo ali e, inclusive, inventaram aquele negócio - entendem muito bem do treco.
Vou contar um segredo, que, hoje em dia, pelo que me parece (e acho até que é um segredo que tem sobrevivido pelos séculos dos séculos...), é valiosíssimo, visto que pouquíssimas pessoas parecem saber: a vida, gente, não tem manual de instruções. As pessoas não tem manual de instruções. Seríssimo, podem acreditar. Queria poder dizer que acho interessantíssimo, ou até curiosíssimo... mas, não, acho super lamentável que existam pessoas que perdem tanto tempo apontando o dedo, ou até querendo viver a vida de tabela, sabe-se lá o porquê disso. Não viveram o suficiente?! Fizeram escolhas erradas?! Queriam ter várias vidas?! Tem probleminhas?!
O que funciona pra A, muito provavelmente não vai funcionar pra F, porque, pasmem(!), a gente não foi feito numa linha de produção. E, conselhos, meus amigos, como diz aquele velhíssimo ditado... se fosse bom, seria vendido. Isso porque, muitas vezes, quando alguém "dá" um conselho, aponta o dedo, olha com cara feia, pensa, julga, sei lá, não tem a menor noção da realidade da outra pessoa. Darlings, cada um sabe das suas próprias dores, e lida com elas da forma que pode. O que faz alguém achar que é tão superior ao outro, que poderia fazer tão melhor? Vai lá e resolve então, e para de encher o saco. Tá incomodado? Pega o problema pra vc, baby. Sério, não tem hora que a vontade que dá é falar isso?! Porque, vou te contar, tem umas horas que a gente ouve cada absurdo, cada asneira, e das fontes mais inusitadas possíveis.
É muita caretice sem sentido, é muita frustração e recalque. Muita gente quer ter uma vida que se encaixe num padrão, beleza, se isso faz sentido pra elas, têm todo o direito, sério! Mas outras pessoas querem outro sentido pra vida. Por quê essas pessoas não podem ter esse direito também?
Eu jamais vou entender essa de exigir um respeito sem antes respeitar. Alguém precisa contar pro mundo que respeito é um negócio recíproco. A gente é respeitado, sim, mas a gente também respeita. A gente tem direitos, sim, mas os outros também tem. Nós não precisamos seguir alguns caminhos, é verdade, mas os outros têm o direito de seguir caminhos diferentes dos nossos. E, não, nós não temos o direito de nos ofendermos caso esses caminhos sejam diferentes daqueles que escolhemos pra nós, porque cada um tem a sua própria vida - e eu, acho, queridos, que é exatamente por isso que existe o tal do corte do cordão umbilical, e que cada um de nós só tem uma vida de cada vez.
É facil falar "eu só quero a sua felicidade", quando nessa frase tá implícito "desde que ela seja confortável pra mim". Super fácil. Difícil é dizer realmente "Eu quero que você seja feliz, independente das suas escolhas". Isso é amar incondicionalmente. E, por isso, eu quase desconheço o significado desse amor utópico. Amor incondicional. Quem ama de forma incondicional? Não sei... Amar, independente do que a pessoa fizer da sua vida, das escolhas que fizer, e da forma como ela pode ser ou não feliz? Gente, cada um tem suas próprias lutas, e, vamos combinar mais uma coisa? Não tá fácil nem pros pinguins... imagina pra gente, que tem que pagar até pra respirar e "fazer cocô" sem ter que continuar sentindo o cheiro ruim, né não?
Não, as pessoas não tem um manual de instruções.
Qual é o ideal? É ficar casada com alguém que te ame, ainda que você não o ame de volta, simplesmente porque é melhor ser amada do que amar, já que você já não acredita em um amor recíproco pra toda vida, e prefere não ser quem vai sofrer? Isso é o ideal de vida? Desculpa, eu não aceito isso como um ideal de vida pra mim. Eu quero mais. Se esse é o manual de instruções pra uma vida "tranquila", "pelo menos" não sofrer, eu quero mais. Eu quero amar, mergulhar, ser feliz até achar que vou explodir, e depois sofrer até achar que vou morrer. Depois renascer. Viajar tudo que eu puder, mesmo que depois eu tenha que trabalhar feito uma condenada pra pagar umas dívidas aqui e acolá. Quero viver tudo que eu puder. Não... não me contento com um 6. Nunca me contentei. Essa nunca fui eu, nem quero ser, nem pretendo. Eu quero um 9. Ou um 0, e a chance de fazer de novo, e tentar fazer o melhor que eu puder. Se eu vou encontrar um grande amor?! Se eu vou amar e ser amada?! Não tenho a menor idéia, eu tenho cara de mãe Diná? Mas não me contento, jamais, com esse ideal de vida.
Qual o ideal? É tirar uma foto bonita, e parecer uma família de "propaganda de margarina"? Eu sou ótima nisso, acreditem. Sempre fui. Fui educada pra ser. Sou polida, discreta, não faço cena na rua, não levanto a voz em público, sou uma lady, e se eu te disser que "tô puta contigo", com certeza tu não vais acreditar, de tão calma que eu vou soar. Mas, não... não me contento com isso. Eu quero mais, muito mais. Quero intensidade, porque eu gosto do que é intenso, do que dá pra sentir de verdade, e faz eu me sentir viva, senão eu sinto sono.
Não me entendam mal. Adoro rotinas. Mas eu preciso gostar da rotina. Ter pequenas alegrias, frio na barriga, aquela ansiedade de vez em quando, e felicidade na rotina. Preciso de amor, de paixão na minha rotina. Preciso olhar pra minha rotina e ter tesão nela. Sem isso, eu perco o foco, perco a vida.
Não acredito em manual pra vida. As pessoas são diferentes. Existem pessoas comedidas. Existem pessoas mais dadas. Extrovertidas e introvertidas. Criativas, metódicas, divertidas, sérias, recatadas, caóticas, sensíveis, instáveis.... as pessoas sempre vão ser diferentes, e sempre vão ter todo o direito de o serem, e, pra mim, isso é o que traz beleza pra vida em si. Qual o problema nisso, minha gente? Eu não consigo ver qualquer problema.
...
Porém, se eu pudesse escrever um manual de instruções pra vida, ele seria assim...


MANUAL DE INSTRUÇÕES


Ser você, em cada momento, em cada mudança - porque elas sempre vão existir.
Viver, livre, e com respeito, por si, e por todos. 
Pensar, sobre si, e refletir, para si. 
Não julgar, jamais, outrem. 
Se permitir, e se perdoar, sempre. 
Quando precisar, chorar. 
Se cair, sem pressa, levantar. Às vezes, a gente precisa ficar um pouco ali, no chão, e sentir um pouco a dor. 
A vida é curta, mas é boa. É interessante aproveitá-la, da melhor forma que lhe couber. 
Amar, e se deixar ser amado, das mais variadas formas, nos mais variados amores.
Perdoar, e pedir perdão.
Não tentar ser perfeito, nem exigir perfeição. 
As únicas escolhas a que temos direito são as nossas. 
Ser livre, e dar liberdade. 
Saber que o mundo dá voltas, o tempo todo.  
Procurar aprender, sempre, com cada coisa. 
Lembrar que o que realmente tem valor jamais poderá ser comprado ou negociado.
Saber que a sua vida não precisa ser uma linha reta. Você pode mudar de idéia. 
Ser verdadeiro consigo. Isso, no final das contas, realmente conta. 





Comentários

  1. Dona Talita, muito prazer, posso entrar?

    Eu achei a proposta do seu blog bem legal, porque fica bem claro que você está fazendo uma puta terapia enquanto escreve. Cada texto é carregado com aquela ânsia de existir, de precisar ser dito, e dá quase pra te sentir exorcizando suas angústias a cada parágrafo, em tempo real.

    Com relação a teu escrito em si, concordo com muita coisa que tu disse, principalmente com esse lance de não se contentar com um conceito de "ideal" moldado pelo ponto de vista alheio. Tem muita gente por aí que vive sob as regras de outras pessoas do que é "ser feliz" e ainda assim vive triste e frustrado, embora jamais vá admitir. Cada um sabe (ou ao menos deveria saber) aquilo que realmente toca sua alma, e essa deveria ser a única diretriz digna de ser seguida por qualquer um de nós.

    E, ei, mesmo que a vida viesse com manual de instruções seria inútil. Ninguém lê isso hoje dia.

    Beijo, moça.

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    Respostas
    1. Ei, Zé Luis, fica a vontade...
      Que bom que você gostou e teve paciência de ler. É bem isso mesmo. Ando me despindo por aqui. Acho que, às vezes, tem uns momentos em que a gente precisa expelir uns pensamentos, ou só o que a gente é mesmo, gritar um pouco.
      Dei uma olhada no seu blog, parece que tem um tempo que não atualiza... é isso mesmo?
      Beijo.

      Excluir

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